Acordo entre Tecpar e Axis amplia em 40% oferta de medicamento para câncer no SUS

C&T Saúde - BR

 

Um acordo de transferência de tecnologia foi assinado nesta segunda-feira (7), em Curitiba (PR), para o medicamento biológico Trastuzumabe, utilizado no tratamento de câncer. A parceria, realizada entre o Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar), a empresa brasileira Axis Biotec e o laboratório suíço Roche – que detém a patente do medicamento –, irá atender a 40% da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS), o que representa mais de 100 mil doses por ano distribuídas aos pacientes.

Pelo acordo, o laboratório suíço transferiu a tecnologia para o Tecpar e para a Axis Biotec, que possui a exclusividade para a transferência do medicamento em território nacional e é parceira do instituto paranaense. Como a patente do produto só perde a validade em 2019, o Tecpar negocia diretamente com a Roche para fornecer 100% do medicamento até lá. Com a queda da patente, outros laboratórios públicos escolhidos pelo Ministério da Saúde podem também fornecer o remédio.

O Trastuzumabe é um dos sete medicamentos biológicos que, no começo do ano, passaram por reorganização em suas parcerias, distribuídos entre os laboratórios públicos com maior expertise no tema: Butantan, Biomanguinhos/Fiocruz e Tecpar. As demais instituições estão sendo especializadas em outras sete plataformas: Síntese Química, hemoderivados, doenças raras, fitoterápicos, doenças negligenciadas, produtos para a saúde e medicina nuclear.

Segundo o diretor-presidente do Tecpar e presidente da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (ABIPTI), Júlio C. Felix, a assinatura do acordo decorre de um esforço iniciado em 2012 para o instituto diversificar sua plataforma tecnológica na área da saúde. “Passamos a atender demandas explícitas do Ministério da Saúde. É um passo importante para o Tecpar e para o Complexo Econômico Industrial da Saúde. O Instituto de Tecnologia do Paraná vai fornecer produtos estratégicos para o país, com consequente redução de custo ao SUS”, disse ele.

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), o objetivo da especialização dos laboratórios, por meio da Nova Política de Plataformas Inteligentes de Tecnologia em Saúde, é oferecer competitividade, escala de comercialização dos produtos e capacitação dos pesquisadores.

“O Tecpar, Biomanguinhos e o Butantan ficaram especializados em medicamentos biológicos, portanto, a divisão de transferência biológica destes produtos está concentrada nesses três laboratórios, e o Tecpar tem participação em todos os mabes na nova plataforma, e passará a fornecer parte destes medicamentos ao SUS, e enquanto ele for o único fornecerá 100% do Trastuzumabe”, informou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

O acordo é uma das etapas da reorganização das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), divulgada no início do ano pelo Ministério da Saúde. As PDPs têm como objetivo transferir tecnologias para a produção nacional de medicamentos, insumos e tecnologias estratégicas para a saúde. O prazo máximo para a conclusão do projeto, com a finalização da transferência de tecnologia, será de até 10 anos.

Com a transferência de tecnologia, a expectativa é que haja um investimento privado de R$ 6,4 bilhões, além da construção de, pelo menos, três novas fábricas e geração de mais de 7.400 vagas de empregos qualificados. Também está previsto, o envolvimento de cerca de 450 doutores especializados em pesquisas para auxiliar o desenvolvimento de medicamentos e produtos para a saúde.

(Agência ABIPTI, com informações do Tecpar e Ministério da Saúde)